domingo, 5 de setembro de 2010

Luas

Eu quis querer o que o vento não leva
Prá que o vento só levasse o que eu não quero
Eu quis amar o que o tempo não muda
Prá que quem eu amo não mudasse nunca

Eu quis prever o futuro, consertar o passado
Calculando os riscos
Bem devagar, ponderado
Perfeitamente equilibrado

Até que num dia qualquer
Eu vi que alguma coisa mudara
Trocaram os nomes das ruas
E as pessoas tinham outras caras
No céu havia nove luas
E nunca mais encontrei minha casa

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pouco

"Não só quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
De afetos, tenha a fria liberdade
Dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses."

Fernando Pessoa

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Impossível

Um dia posso até pagar por isso
O impossível é meu mais antigo vício
Ou então, um delírio do meu coração
Que vê as coisas onde as coisas não estão

Tão certo
Como flores no deserto
Real
Como as miragens da paixão

Havia inocência em seu sorriso
Enquanto caminhava rente ao precipício
Estava calmo por acreditar em perfeição
Tal qual o tolo da colina na canção

sábado, 31 de julho de 2010

Trabalhar

Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer

É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei

Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

Ah, Eu acordo prá trabalhar
Eu durmo prá trabalhar
Eu corro prá trabalhar

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Viagem

Alguma invenção
Que faça o tempo parar esta tarde

Quando se for o sol
Que a luz desse dia nunca acabe

Esteja sempre perto, sempre longe dos covardes

O errado e o certo, pra ter raiva e ter piedade
Arcos de toda cor vão escrever teu nome
Na paisagem
Te levo pela mão

E o viajar já é mais que a viagem

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sorte

Eu conheço uma pessoa que ganhou na Mega-sena. Acumulada!!

Mas, sei lá por qual razão, abriu mão do prêmio.

A sorte tem dessas coisas, aparece para quem não sabe aproveitar.

A vida e seus paradoxos. Milhares de pessoas amam ela (a sua maneira), mas ela ama aquela única pessoa que a ignora. Todos cantam o seu amor em versos e prosas, e ela espera mais uma canção de um imbecil cego. Muitos estão prontos para amá-la, mas ela espera somente por aquele que não a quer.

Não sei se um dia tive esta mesma chance. Se tive foi numa época que não podia aproveitar, dada a diferença de idade. A sorte tem dessas coisas, aparece na hora que não se pode aproveitar. O meu sentimento continua o mesmo, apesar da distancia do espaço e do tempo, da ausencia, da indiferença, etc.

Ela, a mais perfeita das opalas. Eu e minha mania de fazer comparações. Antigamente a chamava de Moranguinho, pois lembro dela muito tímida e quando dizia que um dia casaria com ela, o rubor nas sua face contrastando com suas sardas lembrava a personagem. Que ela se tornaria esta mulher única, não tinha dúvidas.
Perfeita, acredito que não seja, pois assim como a pedra, apesar de preciosa tem algumas irregularidades, o que a torna mais especial.

sábado, 26 de junho de 2010

Mormaço

Está lá ao deus dará
Na costa da Paraíba
Na barcaça em Propriá
E a ferrugem nessa trilha
Não circula nem o ar
No mormaço da miséria
Quem luta pra respirar
Sabe que essa briga é séria
Dá um laço e lança o sal
Passa ao largo em João Pessoa
Tece a vida por um fio
Desce ao rio e fica à toa
Dentro ou distante do mar
Num país tão continente
Tanta história pra contar
Nas quais se conta o que se sente
De onde foge, pr’onde vai
Nesta vertigem de cores
O que falta e o que é demais
Quais seus mais ricos sabores
Dá um laço e lança o sal
Passa ao largo em João Pessoa
Tece a vida por um fio
Desce ao rio e fica à toa
Por ti tento acender
Outra luz em nossa casa
Lembro que sempre sonhei
Viver de amor e palavra